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Birrentos, Artiosos e Espertos

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Alguns amigos nossos, quando crianças, aprontavam muito, senão vejamos:

- Passando por Porto-Firme fui informado por um primo e amigo do Sebastião Santana, conhecido lá por Sebastião Titino, que o dito cujo era o campeão da “birra”. Certa vez ele “embirrou” tanto que ninguém conseguia fazê-lo parar de chorar. Depois de muitas horas de choro ele resolveu a parar. A sua mãe aliviada deu um “Graças a Deus”. Ao ouvir esta exclamação o Sebastião gritou:” Eu não parei. Estou é descansando!” E voltou a chorar novamente.

- O José Romualdo, mais conhecido em Calambau por Zé de Cacau, era um dos mais peraltas do lugar. Puxão de orelha, chinelada no traseiro, vara de marmelo, promessa de prisão no quarto escuro, nada disso adiantava.Foi aí que o Sô Cacau teve uma brilhante idéia:- Na primeira “arte” feita pelo José, ele arranjou um saco que era chamado de “mauá”, amarrou o menino no mesmo,só deixando a sua cabeça para fora. Subiu em uma escada e amarrou o saco em uma travessa (pau) que existia na cozinha. Depois de ficar umas quatro horas dependurado o menino transformou-se rapidamente. Foi até ser coroinha do Padre Grossi...

-O meu primo e compadre Roberto, filho dos tios Gastão e Otília, embora também não fosse um “santinho”, aprontava as suas. Adorava aqueles biscoitinhos fritos que as nossa mães faziam. Certo dia, quando ia receber a visita de uma comadre, a tia Otília recomendou ao Roberto:- Irei receber a minha comadre e servirei a ela um café com aqueles biscoitos que você gosta muito. Só tem uma coisa, você só poderá come-los quando ela for embora.

Tudo bem. A comadre chegou, o café foi servido. Em um dado momento a tia disse à comadre:- Comadre serve mais uns biscoitos!E a comadre respondeu: obrigada, já servi uns quatro e estavam ótimos. O Roberto ao ouvir isso respondeu: Quatro? Eu já contei seis...

Um olhar diferente

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Crônica classificada na Escola Estadual Pe.Vicente de Carvalho para participar das OLIMPÍADAS DE LÍNGUA PORTUGUESA - CATEGORIA: CRÔNICA

TEMA: O LUGAR ONDE VIVO.


UM OLHAR DIFERENTE

Da porta do lugar onde trabalho vendendo passagens de ônibus observo atentamente o lugar onde vivo. É bem pequeno, porém contém grandes belezas, a começar com o magnífico sol, que desponta sorridente no horizonte, com suas misturas de cores quentes que transmitem o calor aconchegante aos seus moradores. Enamorando os raios solares surgindo entre os montes, só há como sentir uma coisa: gratidão a Deus por mais uma oportunidade de fazer tudo diferente, é o começo de um novo dia. Vejo as pessoas que passam de um lado para o outro, cada uma com o seu compromisso. Umas sorrindo, outras sérias, mas todas tentando driblar os problemas e as dificuldades para serem mais felizes.

Dizem que a minha cidade é considerada histórica, devido aos velhos casarões espalhados por diversos cantos e fazendas que guardam grandes mistérios. Histórias as quais me surpreendem. Casarões, balaústres, igreja, quanta beleza!

Imagino os visitantes que chegam aqui, têm a primeira vista, a majestosa Igreja, a qual não saberia descrever seus mínimos detalhes, devido a tanta perfeição em sua arquitetura.

Eles são recebidos por Santo Antônio que passa os dias e as noites no alto da Igreja protegendo e vigiando os casais de namorados na singela pracinha ornamentada por exóticas flores. Troco olhares com Santo Antônio, conhecido como o santo casamenteiro, é o padroeiro da minha querida cidade, sei que já operou muitos milagres por aqui e o peço que continue abençoando a todos.

De repente, uma senhora me pergunta sobre o horário do próximo ônibus para a cidade vizinha, e eu, absorta em meus pensamentos, disse-lhe:

Não sei.

E ela, muito brava, me diz:

_Você não trabalha aqui?

_ Desculpe-me, minha senhora, estou tão distraída observando a minha cidade...

Quando a senhora saiu eu voltei aos meus pensamentos e me lembrei do que havia observado no dia anterior. Ao cair da tarde, é de costume, ver as crianças brincando no parquinho e os velhinhos a andar em círculos em volta da praça, em uma prazerosa caminhada. Que lugar tranquilo e prazeroso de se viver! Como é bom ter um olhar diferente para com tudo o que existe nessa encantadora cidade. Lugar onde vivo, Berço da Cachaça Mineira, palco de vários artistas e de deslumbrantes histórias, marco de várias gerações.

Conhecida como Calambau para alguns, Presidente Bernardes para outros, mas independente disto, para mim não há lugar melhor. Quem a conhece não a esquece jamais!

Aluna: Luane Araújo Sanseverino - 1º ano 2

Professora: Dorlene Quintão Fernandes Vidigal

Botinas

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Somos umas lindas botinas pretas. Nascemos do couro de um boi lá do Piauí. Juntas conosco nasceram várias irmãs, cada uma com o seu número, sendo que a maior parte era do 38 a 42.

A maternidade onde nascemos era chamada de fábrica, e viemos ao mundo sempre aos pares. Assim é que andávamos juntas, aonde uma ia a outra ia também. No início, a nossa casa era uma caixa de papelão. Por muitos dias moramos nela, até que após uma longa viagem, fomos morar com outras da família em uma casa toda cercada de vidro, chamada vitrine. Aí ficávamos à vista de todos que passavam em uma rua movimentada.Alguns paravam para nos olhar e quando agradavam de umas, estas eram levadas por eles,depois de uma operação que era chamada de compra.

Até que chegou o nosso dia da partida. Um senhor que morava no interior de Minas agradou de nós e nos levou para a sua casa em uma pequena cidade.

No primeiro dia em que saímos com ele fizemos o maior sucesso. Novinhas e brilhando, fomos com o nosso dono a uma linda igreja, onde havia muita gente. Ficamos conhecendo lindos sapatos,sandálias e chinelos. O nosso dono não parava, ora estava sentado, ora de pé e algumas vezes ajoelhado, o que muito nos cansavam. Ficamos sabendo que ele estava assistindo a uma missa, o que fazia todos os domingos. Na volta para casa éramos colocadas em um armário juntos com outros sapatos e chinelos.

Certo dia ficamos sabendo que iríamos com o dono para uma fazenda. Como sofremos! Andávamos pelos pomares, hortas, galinheiros, currais e vários outros lugares, sempre sujas de barro, poeira e estrumes de galinhas e vacas.

Na volta para a cidade éramos lavadas e guardadas com carinho.

Nas festas de casamentos, batizados e outras, quem iam eram os primos sapatos. Quando voltavam, com ar de superioridade nos relatavam todos os acontecimentos.

Em nossa cidade havia um festival que era chamado “Festa da cana”. Naquele mês de julho não se falava em outra coisa. Os primos sapatos já comentavam sobre a grande festa e nós, no nosso canto, morríamos de inveja. E foi assim que chegou o dia, com muito som no parque onde realizaria o festival. Tudo ia muito bem até que naquela tarde houve uma mudança no tempo e caiu uma grande chuva. Ao anoitecer melhorou, mas o parque ficou muito úmido, o que fez o nosso dono dizer:- “Hoje irei ao festival calçado com as minhas botinas,pois elas protegerão melhor os meus pés.” Ao ouvir isso saltamos de alegria, pois pela primeira vez iríamos à tão famosa festa.

Os nossos primos só ficaram resmungando.

Fomos, vimos e gostamos. Ouvimos lindas músicas, conhecemos vários sapatos,inclusive os que estavam com os seus donos Fernando e Carlos (pensamos até em paquerá-los...).Como sofriam estes sapatos, pois os dois estavam numa “calibrina” daquelas... e os pobres sapatos faziam de tudo para equilibrá-los.Deu até para provarmos um gole da cachaça,pois o Carlos deixou o caneco cair em cima de nós e assim pudemos degustar a tão badalada branquinha calambauense. Na volta para casa tivemos que firmar o corpo do nosso dono que também já havia tomado algumas...

Quando chegamos, foi a vez de fazermos inveja aos primos sapatos, que com muita raiva, faziam de conta que não ouviam os nossos comentários...

Nossos Padeiros e Quitandeiros

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Nas décadas de 40/50 (até onde vai a nossa lembrança), aqui em Calambau, como em todas as cidades do interior de Minas já existiam os Padeiros e os Quitandeiros.

Os sinos e os sineiros da Matriz

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Impressionante é a voz do sino. No chamado para as missas, rezas, casamentos, batizados e outras festas religiosas, o seu som nos soa alegre. Quando badala anunciando um sepultamento ele emana um som triste. Parece até que ele possui alma, tal a sua sensibilidade de se comunicar através do som. Dizem os especialistas que não existe nenhum sino com uma única tonalidade de som.Tal tonalidade “nasce” desde a fundição do bronze para a sua fabricação.

Ditados e Expressões Populares

CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Tanto na cidade como no meio rural, existe entre nós uma maneira de expressarmos, que é também em alguns casos comum em outras regiões.

-Se você é convidado para uma festa (pagode) na roça, é comum receber o convite da seguinte forma:- sábado que vem, vá até lá em casa “beber um golo comigo”. Isso é válido principalmente para casamento, batizado e aniversário.

Centro Cultural Pedro Maciel Vidigal

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

No último dia 23 de fevereiro, a nossa Câmara Municipal em reunião, analisou e aprovou o Projeto de Lei nº 02/2016 do Executivo Municipal, dando o nome de Pedro Maciel Vidigal ao Centro Cultural do nosso município. O Centro Cultural funcionará no antigo prédio da Prefeitura, na Praça Cônego Lopes nº 9.

Criando o hábito da leitura

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Maria da Conceição Vidigal Carneiro, a nossa Mãe Cecy incentivou a seus filhos o hábito da leitura, desde novos. Ela, que foi aluna da Dona Alzira e da Dona Macrina, pioneiras do ensino aqui em Calambau , tinha muita facilidade de escrever. 

Vicente Faria


Morava na fazenda Barra Alegre, entre a Cachoeira do Jurumirim e Quenta Sol. Veio de Mariana para Calambau, onde adquiriu as terras de sua fazenda de um descendente de italianos, da família Milioni.

O certo é que o Vicente Faria levava uma vida tranquila com a sua esposa dona Júlia que era a única costureira da região. Fazia calça, camisa, paletó,boné para os homens. Para as mulheres faziam os vestidos. Mesmo estando “apertada de costura” ainda sobrava tempo para ela fazer uns deliciosos queijos.

A NOA!

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Observando hoje o rio Piranga, que é meu vizinho do fundo do quintal, verifico o quanto ele aumentou nos últimos três dias. Talvez uns três metros. Se continuar chovendo, poderá sair da “caixa”, inundando os nossos quintais.

A chuvinha intermitente dos últimos três dias veio renovar a esperança da volta dos mananciais, desaparecidos com o longo período de estiagem.

Farmacêutico Sabido!

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

O pessoal mais antigo, comentava que aqui em Calambau, há mais de cem anos, assumiu a nossa paróquia um Padre, que passou a ser o Pároco, Prefeito, Delegado, Educador e muitas outras coisas. O povo o obedecia sempre.

Ciro Moura "O Calambauense"

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

O Ciro é um calambauense autêntico. Quando ainda jovem, saiu de Calambau para servir o Exército em Belo Horizonte.Terminado este período, incorporou-se à Polícia Militar e começou a praticar o Judô.Saindo da PM foi para Governador Valadares, onde fundou o JUDOGOV- Judô Clube Governador Valadares, em 1967. Esta entidade foi reconhecida de utilidade pública pela Prefeitura, e pela Câmara Municipal de Governador Valadares.

Foto que Fala (2)

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro






Nesta foto vemos, da esquerda para a direita:

Jose Arsênio Fernandes (José Fernandes-Vereador ) ; José Quintão Carneiro (José Carneiro-Fazendeiro); Benedito Bastos ( Bené Bastos-Funcionário da Prefeitura);Padre José Nicomedes Grossi (Padre Grossi-Pároco de Calambau );Antônio de Freitas Soares (Idú-Vereador ); José Sabino e os calceteiros (operários que fazem os calçamentos).

DITADOS MAIS USADOS EM CALAMBAU E REGIÃO 2

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

l - Para quem está no inferno, reza é lenha para a fogueira...

2 -Quem bate, esquece, quem apanha lembra.

3 -O olho do dono engorda o porco.

4 -Quem fala muito, dá bom-dia cavalo.

5 -Atirou no que viu e acertou no que não viu.

6) -Barriga de Padre é cemitério de frango.

7) -Mulher na janela? Nem costura e nem panela...

8) -Fogo pro morro acima,água pro morro abaixo, e mulher prá festa? Nada segura...

9) -Um burro carregado de livros é doutor.

10) -O bom cabrito não berra...

U.S.E - 75 Anos de Muita História!

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Neste dia 02 de outubro de 2015, a União Sportiva Educacional – U. S. E.,completaria 75 anos.Mesmo depois de encerrar as suas atividades, há dez anos, continua no coração dos desportistas calambauenses, como se ainda estivesse em funcionamento. Por que isso acontece? É porque a USE desde a sua fundação, em 1940, procurou dar à nossa juventude além da prática do esporte, a formação moral e cívica, procurando forjar o homem do futuro. O seu estatuto é um dos mais completos dos clubes amadores surgidos no interior de Minas na década de 40. Nele estava inserida a criação do Grupo de teatro, Grêmio Literário, Escolas e outras instituições educacionais.

Congraçamento

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

O Laticínio Paladar de Minas reuniu ontem, dia 27 de agosto, à noite, em suas dependências, os fornecedores de leite, funcionários e amigos, para juntos comemorarem o 1° lugar no Brasil conquistado por um de seus produtos, o requeijão. 

Paroquia de Santo Antônio: História e Missão

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Tudo começou na segunda metade do século XVIII. No local onde antes habitavam os índios Botocudos, começaram a chegar os exploradores do ouro.

Começava assim a ser formado um povoado, habitado por muitos “senhores do garimpo” e seus escravos. Nasceu o então povoado de Calambau.

Eleições antigamente

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

As eleições antigamente eram muito mais atraentes do que hoje. O pessoal vivia intensamente o clima. Aqui em Calambau a disputa era entre o PSD (Partido Social Democrático) e o PR (Partido Republicano) .

Nos comícios na cidade, os partidos ofereciam aos eleitores um jantar, geralmente o cardápio era: arroz, tutu e carne de boi moída (boi ralado, como diziam) com batatinha. Em outras vezes ofereciam aos eleitores o pão com salame, que o pessoal chamava de churrasco As siglas dos partidos eram escritas nos morros que circundam a cidade. A turma capinava o formato das letras dos partidos, colocavam cal, e de longe dava para ver as letras. No pasto do PR, a turma do PSD dizia que era “pasto ruim”. No do PSD, a turma do PR dizia que era “pasto sem dono”. E assim este clima de acirrada disputa ia até o dia da eleição.

Sempre Presentes!

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro

Esta, elas não perdem de jeito nenhum! É a Festa da Cana, o Festival da Cachaça!

Durante o ano elas se preparam para este grande evento! Enfeitaram-se...Tornaram-se charmosas... Cada uma tentando conquistar mais adeptos, com as suas aparências e gostos insinuantes...

Jogando Sinuca

#CoisasDeCalambau
por: Murilo Carneiro


Quando estudávamos na Escola Agrotécnica Nilo Peçanha (EANP), em Pinheiral, Estado do Rio, uma das diversões dos estudantes era jogar sinuca (sinucão).

Naquele tempo, havia uma rivalidade muito grande entre os alunos da Escola e os rapazes da Vila. Do futebol à sinuca, tudo era disputado com muita garra. O meu primo Roberto e o amigo Antônio Carlos, ambos de Porto Firme, eram bons na sinuca, embora não jogassem como o colega Hélio.